Dizem as fontes apresenta projetos que discutem a mídia e a imprensa

Baixar


Este é o quinto episódio do podcast Dizem as Fontes, até aqui conhecemos alguns elementos que fazem parte da prática diária do jornalismo, como a entrevista, a investigação e a busca pelo interesse público. Também discutimos como simplesmente conhecer essas práticas é uma forma de educação midiática. Ou seja, permite que a população se aproxime do jornalismo e do jornalista.

Agora, vamos conhecer dois projetos que têm como objetivo principal discutir a mídia e a imprensa, e que fazem isso usando a própria mídia. O Idade Mídia, da TV Cultura e o Comitê de Imprensa, que foi ao ar na TV Câmara entre 2007 e 2013.

O programa Comitê de Imprensa não é mais transmitido na TV, mas todos os episódios podem ser baixados no site da própria Câmara dos Deputados.

Paulo José Cunha é jornalista da TV Câmara e também professor da Universidade de Brasília. Ele é o responsável pela idealização e pela apresentação do programa que entrevistava profissionais de imprensa, que contavam seu dia a dia e explicavam parte do trabalho jornalístico.

“Uma coisa que eu acho que mudou muito no jornalismo de hoje, com a chegada das redes sociais, o impacto da internet, foi o próprio respeito do público com o trabalho da imprensa. … O jornalismo continua sendo a última instância da verdade. Se a gente não preservar essa instância, nós vamos cair no fosso das fake news, da informação deturpada, ou da informação propositalmente falsa para atingir algum objetivo… Nós estamos sujeitos, a qualquer momento, a não ter mais informação confiável, porque essa informação confiável, do jeito que as coisas andam, não tem espaço. Por isso eu sou um dos defensores mais ardorosos de uma coisa chamada educação midiática, para explicar para os estudantes a importância de se informar bem. Isso é fundamental para um negocinho chamado democracia.”

Se o programa Comitê de Imprensa é voltado especificamente para a prática jornalística, o programa Idade Mídia discute o papel das mídias no geral. Mídia é, a grosso modo, o meio pelo qual é transmitida uma mensagem. Assim como o celular possibilita que um jornalista entre ao vivo na programação da TV, cada nova tecnologia impacta a forma da sociedade se comportar.

As novas mídias mudou a forma como nos informamos e como fazemos parte também dessas mídias, em redes sociais, fóruns online e tantos outros espaços. Diante de tanta novidade, a educação midiática se faz necessária para formar pessoas críticas. Assim, surgiu o programa Idade Mídia, para falar da mídia e da importância de discuti-la no âmbito da educação. O jornalista e escritor Alexandre Levote Sayad, conta que o programa é educativo e feito junto com estudantes. Ele destaca que a tecnologia nunca é neutra.

“A gente tem que olhar com cuidado, porque a gente olha pra qualquer tecnologia, mas ela explicita uma coisa que outras foram menos eficientes em deixar claro para a gente, que a tecnologia nunca é neutra. A IA deixa isso muito claro, que nenhuma tecnologia é neutra, ela vem enviesada de quem a produz, né… Então, quando eu falei de IA, eu falei muito de como a IA restringe o nosso olhar de mundo e a restrição do nosso olhar de mundo restringe o nosso pensamento crítico e impacta no que a gente acredita ser pensar criticamente.”

Este é o podcast Dizem as Fontes, uma parceria entre a Radioagência Nacional e a Agência Brasil. Este projeto começou na academia, fruto do mestrado profissional de Mariana Tokarnia, na área de mídias criativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

Você também pode ouvir na Radioagência Nacional o projeto original Crianças Sabidas, com jornalismo voltado para o público infantil. Todos os capítulos estão disponíveis nos tocadores de áudio e no site da Radioagência Nacional, um serviço público de mídia da EBC. E no próximo e último episódio sobre educação midiática, vamos falar de jornalismo e escola.  

PODCAST DIZEM AS FONTES Episódio 5 – A mídia pela mídia

VINHETA: Dizem as fontes – jornalismo e educação midiática

SOBE SOM 🎶 

Episódio 4 – A mídia pela mídia

SOBE SOM 🎶

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

MARIANA: Até aqui conhecemos alguns elementos que fazem parte da prática diária do jornalismo, como a entrevista, a investigação e a busca pelo interesse público. E discutimos como simplesmente conhecer essas práticas é uma forma de educação midiática. Ou seja, permite que a população se aproxime do jornalismo e do jornalista. Neste episódio conheceremos dois projetos que têm como objetivo principal discutir a mídia e a imprensa, e que fazem isso usando a própria mídia.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

MARIANA:O Idade Mídia, da TV Cultura

ÁUDIO VINHETA IDADE MÍDIA🎶

MARIANA: E o Comitê de Imprensa, que foi ao ar na TV Câmara entre 2007 e 2013.

ÁUDIO VINHETA COMITÊ DE IMPRENSA🎶

MARIANA: Vamos começar apresentando o Comitê de Imprensa. O programa não é mais transmitido na TV, mas todos os episódios podem ser baixados no site da própria Câmara dos Deputados.

ÁUDIO COMITÊ DE IMPRENSA: Quem cobre Congresso, Planalto, Ministérios e Tribunais, quem acompanha a vida política pode ajudar a gente a prever um pouco do que vem por aí. Por isso, nesta edição do Comitê de Imprensa, nós recebemos os jornalistas políticos Eliane Cantanhede, colunista da Folha de São Paulo, e José Maria Trindade, da rádio Jovem Pan, que eu queria agradecer desde logo pela gentileza de participarem com a gente desse programa.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Paulo José Cunha é jornalista da TV Câmara e também professor da Universidade de Brasília. Ele foi meu professor de telejornalismo na época da Universidade. Ele é o responsável pela idealização e também pela apresentação do programa Comitê de Imprensa. O programa consiste basicamente em entrevistas com profissionais de imprensa, que contam o seu dia-a-dia e explicam um pouco do trabalho jornalístico.

MARIANA: Professor, para quem não conhece, não sabe o que é um Comitê de Imprensa, explica pra gente o que é um Comitê de Imprensa e o papel desse espaço na cobertura jornalística, principalmente a política.

PAULO: O Comitê de Imprensa é um lugar onde os jornalistas trabalham em determinado órgão. É claro que com o advento da internet, das redes sociais e de tudo mais, esse espaço perdeu muito da sua função, que era de reunir os jornalistas no local de trabalho. Mas ali também havia, no passado, um aspecto político muito forte. Eu, por exemplo, presidi o Comitê de Imprensa da Câmara. E, naquela época, uma opinião, uma nota que a gente soltasse sobre qualquer tema tinha um peso muito grande, até porque toda a imprensa noticiava. Então, era um local muito respeitado.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: O nome do programa, como Paulo explicou, vem de um ambiente muito conhecido dos jornalistas, principalmente dos que trabalham em Brasília. Comitês de Imprensa são quase como redações. Têm mesas, cadeiras, por vezes até mesmo computadores, telefones. Ministérios, tribunais, Congresso Nacional, Presidência da República, cada um tem seu Comitê de Imprensa. Ali, jornalistas de diferentes veículos trabalham lado a lado. Como são ambientes onde há sempre notícias e elas podem acontecer a qualquer momento, seria mais complicado os jornalistas trabalharem à distância e precisarem correr para os órgãos a todo momento. Assim, eles já ficam lá. Comitês de Imprensa são ambientes de trabalho, mas também de trocas, onde jornalistas discutem as notícias. São ambientes também de confraternização, onde você acaba conhecendo e se aproximando de colegas de vários veículos de imprensa.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

MARIANA: O programa criado por Paulo tem esse objetivo: aproximar, reunir e ser também um bate-papo sobre assuntos atuais. Sempre do ponto de vista de quem está ali, na cobertura jornalística.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

PAULO: Trabalhando na TV Câmara, eu tive ocasião de conversar com vários colegas jornalistas que transitavam pela Câmara dos Deputados. E eu notava, nas pessoas, uma curiosidade muito grande sobre a forma como os jornalistas trabalham, seja na imprensa política, seja na de economia, na área de cultura, na área de cidades, na geral e tudo mais. Mas sobretudo na área política. Porque as pessoas me perguntavam “como é que vocês conseguem saber tanta coisa desses políticos que, normalmente, são muito arredios, muito escorregadios, até pela função que exercem. Como é que é isso?” Essa curiosidade me levou a propor à direção da TV, na época, a criação de um programa. Nós demos o nome de Comitê de Imprensa, em homenagem ao próprio Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados, onde eu atuei durante muitos anos e era um ponto de encontro de grandes jornalistas de toda a imprensa brasileira. Lá eu tive a ocasião de conhecer diversos jornalistas famosos, né, que passavam por lá obrigatoriamente quando vinham à Brasília. Toparam a ideia, até porque não era muito difícil conseguir convencer o jornalista que estava em Brasília, que estava na Câmara, a participar de um programa da TV Câmara, um bate-papo com um colega jornalista sobre a forma de trabalho deles. E assim surgiu o Comitê de Imprensa. Por lá passaram nomes dos mais expressivos do jornalismo brasileiro, né. Alguns já nos deixaram. Só que depois o programa ganhou um peso muito grande e houve a necessidade, até por imposição da audiência, de que a gente abrisse o leque, não ficasse só com jornalistas políticos, pegasse jornalistas de outras áreas. E assim nós fizemos com jornalistas da área do internacional, da área de economia, da área de cultura.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Não é de hoje a curiosidade pelo trabalho do jornalista. Tanto que muitos livros e filmes ou são baseados no trabalho desses profissionais ou tem algum personagem que é jornalista.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

PAULO: Eu tenho a impressão que a curiosidade pelo trabalho dos jornalistas é grande porque ele é um medium, entre a fonte e o receptor. E as pessoas querem saber como é que esse profissional atua de forma a obter as informações que ele transmite. Como é que é o mecanismo que conduz tudo isso? Por exemplo, como é que surge uma pauta? As pessoas às vezes ficavam se perguntando por que você resolveu fazer uma matéria sobre esse assunto? Por que isso surgiu assim? Alguém sugeriu? Ou foi alguém que pediu? Ou foi a direção do jornal que mandou? Ou foi você que inventou? Ou foi você que andando na rua olhou, viu, percebeu alguma coisa e se deu conta de que aquilo era importante? Então, essa curiosidade, que remonta de muitos, muitos, muitos anos atrás, né, desde que o jornalismo se implantou e se consolidou, foi o que levou a gente a produzir um programa desse formato.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Pelo programa, passaram grandes nomes do jornalismo.

PAULO: Então, ali a gente recebia personalidades maravilhosas. Por exemplo, uma entrevista que eu me lembro que foi uma delícia de fazer foi com o José Hamilton Ribeiro, uma figura maravilhosa.

ÁUDIO COMITÊ DE IMPRENSA: Ele é um jornalista laureado, mas gosta mesmo de ser chamado de repórter. Hoje, nós vamos conversar mais sobre temas como o poder do jornalista e a exigência do diploma para jornalistas. E, é claro, as histórias deliciosas que ele reuniu por esse sertãozão bonito, pilotando as reportagens do Globo Rural, da Rede Globo de Televisão. José Hamilton Ribeiro, o grande José Hamilton. Ou Zé Milton, gosta de ser chamado de Zé Milton, né? José Hamilton, todo mundo diz que o jornalista tem poder, mas eu ouvi dizer que se o jornalista usar o poder que ele tem, ele perde o poder. Você concorda? Ah, sem dúvida, né? Acho que o jornalista chega perto do poder, tem facilidade de chegar perto do poder, mas se ele se iludir de que o poder é dele, ele está acabado como jornalista, né.

PAULO: A gente entrevistou Joelmir Betting, a gente entrevistou os grandes nomes da imprensa da época, e muitas vezes a gente até viajou para entrevistar jornalistas fora de Brasília, no Rio de Janeiro, em São Paulo, entrevistamos Paulo Henrique Amorim, no Rio de Janeiro, ainda naquela época. Pouco tempo depois, ele adoeceu e terminou vindo a falecer, mas foi um período muito rico nesse sentido, né?

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Observar as estruturas dos comitês de imprensa é também observar a evolução da tecnologia. Se antes o comitê precisava ter telefones fixos e máquinas de escrever, hoje cada repórter tem o seu próprio laptop, tablet e celular. Não precisa mais enviar matérias datilografadas para as redações. Agora, é possível entrar ao vivo na programação de um canal de TV pelo próprio celular. As tecnologias mudaram o tempo de publicação, agora instantâneo, e mudaram formas de apuração das notícias. Se antes era preciso usar catálogos telefônicos, agendar reuniões, visitar arquivos, agora, tudo isso é feito online. Para Paulo, apesar de todas essas mudanças, deve-se haver um esforço para manter algumas práticas, como a entrevista olho no olho, sempre que possível.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

PAULO: O celular, ele facilita e faz a gente chegar em vários lugares ao mesmo tempo, com uma qualidade de imagem inclusive muito boa, tanto de áudio quanto de vídeo. Mas o problema não é esse. Entrevista, a etimologia da palavra diz tudo, é entre duas vistas, ou seja, eu quero te ver fisicamente. A relação muda, a forma como você conversa muda completamente. Evidentemente que nós estamos aqui conversando, eu estou vendo você por uma tela, você está me vendo por uma tela, mas provavelmente a nossa relação de trabalho, esse bate-papo, ficaria extremamente mais agradável e talvez até muito mais franco, talvez muito menos artificial, se nós estivéssemos os dois frente a frente, fazendo uma entrevista, uma vista e outra vista, né. Até quando eu ouço a palavra, uma entrevista por e-mail, eu digo, espera aí, que diabo é isso? Entrevista por e-mail? Não, uma troca de e-mails. Não é uma entrevista, porque não tem duas vistas ali. Eu acho que nesse sentido, ter um lado positivo, que permitiu que a gente entrevistasse alguém, o outro dia entrevistamos uma pessoa em Pequim, coisa mais fácil do mundo, pelo telefone. Ao mesmo tempo, a gente perdeu essa naturalidade a que eu me refiro.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

PAULO: Uma outra coisa que eu acho que mudou muito no jornalismo de hoje, com a chegada das redes sociais, o impacto da internet, foi o próprio respeito do público com o trabalho da imprensa. Eu costumo dizer que a última instância da verdade, a verdade possível, naturalmente, não existe verdade absoluta, e sabemos bem disso, é o jornalismo. Seja o jornalismo público, seja o jornalismo empresarial, mas é o jornalismo. O jornalismo continua sendo a última instância da verdade. Se a gente não preservar essa instância, nós vamos cair no fosso das fake news, da informação deturpada, ou da informação propositalmente falsa para atingir algum objetivo. E, perigosamente, é o que vem acontecendo. Você vê que as tiragens dos jornais têm caído, as visualizações, inclusive, dos jornais online também têm caído. A audiência das grandes emissoras de televisão, das mais importantes, dos melhores telejornais, tem caído, e caído muito, e caído perigosamente. O que significa o quê? Que esse espaço está sendo ocupado por uma produção de informação que não tem a menor responsabilidade com a confiabilidade desse produto. Isso está gerando um efeito dramático, as pessoas não estão se informando como no passado, não é? As pessoas estão apenas se expondo à informação que chega pelo WhatsApp. Essa informação pode ter sido produzida por uma pessoa séria, como pode ter sido produzida, como é o caso da maioria das vezes, por alguém que quer uma audiência maior para poder ter mais likes e, portanto, ter mais faturamento, porque aí eles tornam o espaço bom para anúncios, né. Ou também essa informação serve aos mais diversos objetivos, como a disseminação de conteúdo ideológico, a extrema direita está fazendo isso com maior competência. Nós estamos sujeitos, a qualquer momento, a não ter mais informação confiável, porque essa informação confiável, do jeito que as coisas andam, não tem espaço. Por isso eu sou um dos defensores mais ardorosos de uma coisa chamada educação midiática, para explicar para os estudantes a importância de se informar bem. Isso é fundamental para um negocinho chamado democracia. Se você não tiver esse conjunto de informações desde cedo, você educar o jovem a buscar a informação confiável, mais à frente ele não vai saber fazer isto, e também não vai ter interesse em fazer isto.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Se o Comitê de Imprensa é voltado especificamente para a prática jornalística, o Idade Mídia discute o papel das mídias no geral. Mídia é uma palavra que vem de medium, ou seja, meio. Mídia é, a grosso modo, o meio pelo qual é transmitida uma mensagem, pode ser uma carta, um outdoor, a televisão, rádio, a internet. Assim como o celular possibilita que um jornalista entre ao vivo na programação da TV, cada nova tecnologia impacta a forma da sociedade se comportar. Agora, fazemos chamadas de vídeo com pessoas queridas. Antigamente, escrevíamos cartas que demoravam dias para que chegassem ao destino. A velocidade mudou e o comportamento também.

EFEITO SONORO WHATSAPP🎶

MARIANA: E mudou também a forma como nos informamos e como fazemos parte também dessas mídias, em redes sociais, fóruns online e tantos outros espaços. Diante de tanta novidade, a educação midiática se faz necessária para formar pessoas críticas. Assim, surge o Idade Mídia, para falar da mídia e da importância de discuti-la no âmbito da educação. Quem nos conta é o apresentador do programa, o jornalista e escritor Alexandre Levote Sayad.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

ALEXANDRE: O Idade Mídia, olha que curioso, ele nasce como uma experiência de educação midiática prática e ele vira uma experiência de comunicação educativa com o tempo. Porque esse termo nasceu de uma experiência que eu fiz em escola, a partir de 2002. Projetos de educação midiática em escola, que era basicamente calcada na produção de fanzines, na época, blogs, feitos pelos jovens, pelos estudantes. A gente empoderava os estudantes para eles fazerem rádio, não podcast, mas rádio mesmo. Em uma das escolas aqui de São Paulo, que a gente misturava alunos das escolas públicas e particulares, durou 15 anos, entrou para o currículo. Quer dizer, lá a gente já fazia uma redação de jovens pré-universitários para produzir mídia e aprender como a mídia funcionava.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

ALEXANDRE: Eu gosto muito da televisão, acho que é um modelo que, sobretudo na América Latina e no Brasil, ele ainda é fundamental, enquanto um modelo mass media, de comunicação de massa. A televisão é um modelo antigo, acho que ainda é importante. E eu fiquei tentado a criar um projeto que respondesse a uma questão que era, de certa maneira, tirar dos castelos de marfim, das torres de marfim da universidade e levar para o público geral. E onde que estava essa questão? Estava um pouco no uso das mídias pelos jovens, seja na escola ou fora da escola. E esse projeto já dura cinco anos. Ele foi muito mais “vamos experimentar e ver o potencial”, colocar esse olhar no mundo hoje. Onde que está esse olhar na relação da escola com as mídias, das comunidades das mídias, do governo com as mídias, da participação democrática com as mídias? Quer dizer, onde que está isso? Então o Idade Mídia olha um pouco para esses temas todos e, ao mesmo tempo, ele é uma metalinguagem. Ele tem um grupo do Brasil inteiro que trabalha com a gente vivendo uma experiência de educação mediática da pré-produção à finalização do programa. É uma turma que tem aula, pré pauta, participa da discussão, vai localmente gravar, volta, discute, montamos junto e montamos o programa junto.

ÁUDIO IDADE MÍDIA: Você percebeu por quantas telas passou até chegar aqui? A nossa memória e história hoje passa pelas telas, seja do celular, da TV ou do cinema. No episódio da Idade Mídia de hoje, a gente recebe Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, no Cariri, interior do Ceará. Nela, crianças e jovens desenvolvem projetos para preservar a memória e a cultura popular. Eu converso com os estudantes do Live.me sobre como a TV e o YouTube fizeram parte da infância e juventude deles. Mas agora a gente vai direto para o Rio Grande do Norte conhecer a Rede Potiguar de Televisão Educativa. Ela foi criada para desenvolver projetos audiovisuais que preservem a cultura e a memória do seu tempo. Começa agora a nossa jornada pela Idade Mídia.

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: O Idade Mídia é um programa sobre mídia e educação e também é, ele mesmo, uma experiência de educação midiática, uma vez que conta com a participação de estudantes que estão ali para investigar e discutir a mídia na própria mídia. Os assuntos discutidos no programa são muitos. Entre eles, Alexandre destaca um: não seria possível discutir o cenário atual sem discutir também a inteligência artificial, a novidade da vez.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

ALEXANDRE: A gente tem que olhar com cuidado, porque a gente olha com qualquer tecnologia, mas ela explicita uma coisa que outras foram menos eficientes em deixar claro para a gente, que a tecnologia nunca é neutra. A IA deixa isso muito claro, que nenhuma tecnologia é neutra, ela vem enviesada de quem a produz, né. Eu estudei muito o impacto da IA, sobretudo os algoritmos de recomendação. Então, quando eu falei de IA, eu falei muito de como a IA restringe o nosso olhar de mundo e a restrição do nosso olhar de mundo restringe o nosso pensamento crítico e impacta no que a gente acredita ser pensar criticamente. A gente está olhando a IA como uma nova mediação, como a TV foi uma mediação uma época. E essa nova mediação tem outras características que vivem num outro paradigma de sociedade, tecnológico, etc. Se for pegar a IA generativa, a coisa explode, né. Então, eu acho que um bom resumo que você tem dos impactos éticos é a pirâmide que a União Europeia coloca na legislação, graus de urgência de regulação, né. Então, ela coloca desde o reconhecimento facial como uma questão ultra-urgente até o filtro de recomendação que necessita de sugestões, né, de uso. O que é importante é que a IA tem uma característica muito complexa em relação a outras mídias enquanto mediação e a gente não tem a capacidade de notar que a gente está sendo penetrada por ela ou interagindo com ela, né. Se a gente pensar, mesmo na internet, você precisa do celular, minimamente, para ter uma interação com o meio digital, né. A IA não é nada físico, ela é uma conta. Um algoritmo é uma conta e ela está em todo lugar, então é difícil saber onde ela está. E é difícil saber quando você está interagindo.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

ALEXANDRE: Então, existe sempre, quando a gente fala em educação midiática, um primeiro estágio que a gente percorre que a gente chama de consciência ou awareness, que é uma palavra melhor do que consciência. Que é você se dar conta de que aquilo existe e você está interagindo com aquilo. Essa é a camada inicial que a gente precisa trabalhar na educação midiática quando a gente fala de IA. Quer dizer, a gente precisa se dar conta de quando a gente está interagindo com ela. Essa tem sido uma complicação, até para a legislação. Onde é que a legislação europeia e brasileira emperraram na discussão pública? Um, na definição do que é IA, porque existe um campo nebuloso entre a tecnologia linear, que a gente chama de programação, e o que é IA. E a segunda questão é saber como ela funciona e faz parte, para mim, dentro desse campo. Quer dizer, tirar ela desse ambiente mágico que ela mora hoje. Que a IA tem sido muito ligada a uma questão um pouco mágica e mística, de que ela tem tomado vida, e de um outro lado ela tem sido ligada à questão da ficção científica, que nos alimenta com histórias maravilhosas, sempre nos alimentou, mas que são distantes do que é a realidade da IA, né. A IA é um modelo estatístico de probabilidade matemática, ela não passa disso, né. Então, o próprio jornalismo às vezes se alimenta de algumas ansiedades, de alguns truques do mercado para transformar a IA em uma coisa maior do que ela é para o público, né. Então, awareness, saber como funciona, a terceiro passo é saber onde ela está impactando a nossa vida.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Em meio a esse cenário, para Alexandre, por estar na mídia e fazer parte da construção das informações, o jornalista é também um educador. Isso não significa que ele precisa dar uma aula, pode apenas, por exemplo, explicar nos próprios jornais e portais o que é uma reportagem e o que é um artigo de opinião. Diferenciar essas publicações já é uma forma de educar a sociedade e torná-la mais consciente do que está consumindo.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

ALEXANDRE: Eu sempre achei que todo jornalista fosse educador, porque você está promovendo a educação continuada das pessoas, sendo o gatekeeper, o curador daquelas informações, o apurador daquelas informações que elas estão consumindo no dia a dia. Agora, como educador, você pode contar com outros recursos, agora com a educação midiática. E você não precisa estar numa plataforma só. E você sabe que você vai estar mediado com uma nova mediação tecnológica chamada inteligência artificial. Então, como é que você mistura isso tudo? Eu gosto da metalinguagem mesmo, que o Idade Mídia faz, é a mídia apontar para si, tentar mostrar nela mesma onde ela está nesse mundo. Não é só o papel do Ombudsman, ele é um papel quase, quer dizer, “olha, isso aqui é uma coluna, e eu estou dando uma opinião”, e muitas vezes você vai ler opiniões que não estão tão separadas assim de texto. Atente-se a isso. É falar: “esta aqui é uma reportagem, ela teve como objetivo olhar essas fontes e observar um fato sobre diversos ângulos”, sem necessariamente ter uma opinião explícita do repórter ou de quem juntou essas informações. E aí, isso tudo vai se perpetuando nas diversas linguagens, como o próprio TikTok, né. Eu acho que o melhor antídoto para o TikTok é o próprio TikTok, assim, eu costumo brincar, porque eu acho que você consegue gerar um micro-conteúdo que pode ser crítico a você mesmo. Eu não acreditava muito, mas sabe que o Futura teve uma experiência com o TikTok muito bem sucedida, né, acho que foi um dos primeiros canais que usou o TikTok para informar, com micro-aprendizagem. O que o New York Times fez com o digital, com o modelo digital, é um outro exemplo. Os vídeos da Time Magazine, da Economist, no Insta, os vídeos de Reels, do The Guardian, poxa, são muito bons, né. Então, usar a linguagem para educar quem está assistindo é muito interessante. Então, assim, no ecossistema de combate à desinformação, onde está o ecossistema de difusão da educação midiática, que passa pela escola, então, nesse sentido, a mídia é fundamental, tem um papel fundamental. E aí, todo jornalista é um educador, e toda mídia tem que educar midiaticamente de alguma maneira. Isso não quer dizer que todo veículo tenha que ter um Idade Mídia, ou um Vitrine, ou um Vídeo Show, ou o que quer que seja, que brinque com a própria… Mas que o formato em si instrua, eduque. O formato em si mostre o seu valor. Acho que esse é um excelente começo.

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Este é o Dizem as Fontes, o podcast que discute o papel do jornalista na educação midiática e como a educação midiática pode contribuir com o próprio jornalismo.

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Eu sou Mariana Tokarnia, repórter da Agência Brasil. O projeto Dizem as Fontes é fruto do meu mestrado profissional em Mídias Criativas na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, com orientação de Inês Maciel. Eu fiz a reportagem, entrevistas, roteiro, apresentação e montagem desse podcast.

Akemi Nitahara complementou a edição, sonorização e adaptação.

Tâmara Freire gravou a vinheta e os títulos dos episódios. 

Implementação web de Lincoln Araújo e Beatriz Arcoverde, que também faz a coordenação de processos. 

Utilizamos na trilha sonora a composição Informalidade, de Ricardo Vilas. 

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Este episódio usou áudios de vídeos do Canal Futura, disponíveis no YouTube e da TV Câmara.

SOBE SOM 🎶 

MARIANA: Você também pode ouvir na Radioagência Nacional o projeto original Crianças Sabidas, com jornalismo voltado para o público infantil. Todos os capítulos estão disponíveis nos tocadores de áudio e no site da Radioagência Nacional, um serviço público de mídia da EBC. E no nosso último episódio sobre educação midiática, vamos falar de jornalismo e escola. 

SOBE SOM 🎶 

EFEITO SONORO MÁQUINA DE ESCREVER 🎶

SOBE SOM 🎶 

Em breve

Reportagem, entrevistas, roteiro, apresentação e montagem

Mariana Tokarnia
Edição, sonorização e adaptação Akemi Nitahara 
Coordenação de processos

Beatriz Arcoverde

Identidade visual e design:

Caroline Ramos

Interpretação em Libras: Equipe EBC
Implementação na Web:

Lincoln Araújo e Beatriz Arcoverde

Trilha Ricardo Vilas
Locução da vinheta e títulos dos episódios Tâmara Freire
Áudios TV Câmara e Canal Futura, disponíveis no YouTube

 

Podcast Dizem as Fontes, episódio 5

© Arte EBC

Educação Programas Idade Mídia e Comitê de Imprensa atuam na educação midiática Rio de Janeiro 28/02/2025 – 07:15 Beatriz Arcoverde – Editora Web Mariana Tokarnia e Akemi Nitahara Dizem as fontes Podcasts Radioagência Nacional Especiais educação midiática sexta-feira, 28 Fevereiro, 2025 – 07:15 25:47

Adicionar aos favoritos o Link permanente.