VÍDEO: Mulher é assediada por motociclista enquanto estava dentro do carro; outras vítimas reconheceram o agressor


Homem perseguiu mulher pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio e quando carro parou no farol, ele fez um gesto obsceno para ela. Ao menos outras duas mulheres reconheceram o homem. 76% das mulheres já sofreram violências em seus deslocamentos, segundo pesquisa. O carro é considerado o meio mais seguro. Motociclista faz gesto obsceno para mulher dentro de carro
Uma mulher gravou o momento em que um motociclista fazia gestos obscenos para ela enquanto estava parada no semáforo da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central de São Paulo, na última quarta-feira (19).
Após compartilhar o vídeo em uma rede social, outras duas mulheres relataram terem sido abordadas pelo mesmo homem em diferentes ocasiões.
A vítima, que não quer se identificar, contou ao g1 que saiu de Moema, Zona Sul da capital, em direção ao Centro, onde foi abordada em um farol fechado.
“Para mim foi uma eternidade, ele foi me perseguindo e parando a cada semáforo”, relembrou.
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“Eu notei um motoboy ao lado da minha janela do passageiro. Ele começou a falar comigo, mas eu não entendia o que dizia porque o som do carro estava ligado. Como estava com os vidros fechados, só conseguia ver que ele gesticulava”, completou.
Ela foi perseguida por três semáforos até se aproximar do seu destino final. “O semáforo abriu, eu segui, mas mais à frente outro semáforo fechou, e ele continuou ao meu lado. Foi então que entendi que ele estava dizendo palavras obscenas e me chamando para ir a algum lugar.”
Mesmo com a movimentação intensa de ônibus, carros e pedestres, o motociclista não se intimidou. “Quando percebi que ele não ia embora, peguei o celular e comecei a filmá-lo. Foi então que ele avançou e fez aqueles gestos com a língua, que aparecem no vídeo. Minha intenção também era registrar bem a placa da moto”, explicou Carol.
Ela afirma que esse não foi o primeiro episódio de assédio que viveu, mas, desta vez, decidiu não deixar impune. Carol registrou um boletim de ocorrência e denunciou o caso em canais oficiais, como o 180 e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), além de divulgar a situação nas redes sociais.
Outras vítimas
Após compartilhar seu relato no perfil “Voz da Diversidade”, no Instagram, outras mulheres reconheceram o agressor.
Outra mulher, motorista de aplicativo, relatou ter passado pela mesma situação em janeiro, quando passava em frente à estação de Metrô Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo.
“Eu estava dirigindo e, ao parar no semáforo, um motociclista se aproximou da janela do meu carro. Quando olhei para o lado, vi que ele estava lambendo os lábios e fazendo gestos obscenos com as mãos”, contou.
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Ela tentou ignorá-lo, mas ele continuou insistente. Quando finalmente pegou o celular para gravar, o homem acelerou e, pouco depois, começou a assediar outra mulher que estava em um ponto de ônibus. Assustada, ela enviou uma mensagem para sua namorada relatando o ocorrido (veja abaixo).
Um terceiro caso semelhante aconteceu com outra mulher que também pediu para não ser identificada. Ela voltava do trabalho por volta das 16h, na Avenida Luís Dumont Villares, Zona Norte, quando foi perseguida pelo mesmo homem, que repetiu os mesmos gestos.
Ela conseguiu filmar e fotografar o agressor, além de denunciar a placa da moto ao ligar para o 190. No entanto, ao tentar registrar um boletim de ocorrência na delegacia, afirmou que não recebeu o acolhimento esperado.
“Saí completamente desmotivada e acabei não formalizando a denúncia na hora. Mas ainda estou dentro do prazo e pretendo voltar para representar o caso”, disse.
O g1 procurou a Secretaria da Segurança para saber se há registros contra o agressor e aguarda posicionamento.
O g1 publicou nessa semana casos de mulheres que foram assediadas no Metrô e no trem. Depois de divulgarem seus relatos, outras mulheres disseram que passaram pela mesma situação.
Violência ao se deslocar
A sensação de insegurança ao se deslocar pela cidade é uma realidade para muitas mulheres. De acordo com uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, 76% das mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de violência ao se locomover por São Paulo.
O levantamento também aponta que o carro particular é considerado o meio de transporte mais seguro, com apenas 8% das entrevistadas relatando casos de assédio quando estavam sozinhas no veículo. Já os aplicativos de transporte são vistos como mais seguros do que o transporte público, enquanto os ônibus, apesar de registrarem altos índices de importunação, são apontados como o meio onde é mais fácil denunciar crimes como assédio e estupro.
Mesmo o carro sendo considerado um dos meios mais seguros, os casos mostram que as mulheres continuam vulneráveis até mesmo onde se sentem mais protegidas.
Após ser importunada, Barbara enviou mensagem assustada para a namorada.
Arquivo pessoal
* Sob supervisão de Cíntia Acayaba
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