Sobrecarga na saúde faz número de atendimentos em UPAs subir 33% em Campo Grande


Aumento leva em consideração os números de atendimentos dos dias 28 de fevereiro e 31 de março deste ano. Sindicato dos médicos de Campo Grande afirma déficit sistêmico na rede de saúde da capital. Sobrecarga na saúde faz número de atendimentos em UPAs subir
A Secretaria Municipal de Saúde registrou um aumento de 33% nos atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento de Campo Grande (MS). Os dados da própria pasta são uma comparação entre os últimos dias de fevereiro e de março.
⬇️28/02/2025 – 3.561 atendimentos;
⁠31/03/2025 – 4.761 atendimentos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no Whatsapp
Na comparação entre o último dia de fevereiro e o último dia do mês de março deste ano, houve um aumento de 1,2 mil atendimentos, chegando a uma diferença de 33,71%.
Conforme a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, o aumento ocorre há aproximadamente uma semana, principalmente por uma maior procura de pessoas com problemas respiratórios, além de um aumento na gravidade de casos crônicos.
“A média de atendimentos varia de 2,5 mil a 3 mil atendimentos diários, porém no último dia de março tivemos quase 5 mil atendimentos nas nossas 10 unidades, isso dá uma sobrecarga no sistema, consequentemente o tempo de atendimento demora mais”, ressaltou.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul expressou preocupação com a alta demanda nas unidades. De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Santana, o problema atinge toda a estrutura de saúde de Campo Grande, desde o atendimento básico até o atendimento nas UPA’s, causando um reflexo nos hospitais.
“Os profissionais de saúde dentro dessa estrutura trabalham em sobrecarga, já que a demanda é uma demanda muito acima da possibilidade de se fazer um atendimento adequado”, destacou.
Análise dos dados
Ao compararmos o número de atendimentos na última semana de fevereiro e março, houve um aumento de 13%, chegando a uma diferença de 3,3 mil casos. Enquanto a última semana de fevereiro chegou a um total de 24,6 mil atendimentos, a última de março ultrapassou os 28 mil casos.
Em fevereiro, o dia 24 teve um maior número de atendimentos em todas as 10 unidades, foram 4,3 mil no total. Já em março, o último dia do mês foi o mais sobrecarregado, chegando a 4,7 mil. Nesse dia, todas as unidades registraram ápice no atendimento.
No último dia de março, a UPA com mais demanda foi a Universitária, chegando a atender 739 pessoas. Na mesma semana, a mesma unidade chegou a registrar 762 atendimentos, no dia 25 de março. Veja abaixo o número de atendimentos em cada unidade no dia de pico:
Atendimentos no dia 31/03:
Aero Rancho: 452
Vila Almeida: 418
Coronel Antonino: 554
Coophasul: 371
Leblon: 652
Moreninha: 411
Nova Bahia: 415
Santa Mônica: 332
Tiradentes: 417
Universitária: 739
Já na última semana de fevereiro, o pico de atendimentos aconteceu no dia 24, chegando a 615, também na UPA Universitária.
Contratações emergenciais
Atualmente, 169 médicos trabalham na rede municipal, durante os plantões. A Prefeitura afirmou ao g1 que começou a fazer a contratação de outros 56 profissionais de forma emergencial, para reforçar as equipes.
“Nós fizemos um chamamento de mais 56 médicos, e eles vão se apresentar no decorrer dessa semana. Se eventualmente nem todos se apresentarem nós faremos um novo chamamento”, destacou a secretária de saúde.
Caos para quem precisa de atendimento
Entre as pessoas que procuraram atendimento está a atendente Nathiele Dias da Silva, de 22 anos, que foi até a UPA Leblon, após sentir dificuldade para respirar e tosse. A jovem relata que ficou mais de 4 horas aguardando para passar por um médico e ser medicada.
“Cheguei por volta das 18h40 e fui embora depois das 22h. A UPA estava extremamente lotada, com pessoas esperando até deitadas no chão. Tinham pacientes que estavam lá desde a hora do almoço aguardando serem chamadas”.
Uma reunião do Centro de Operações de Emergências de Saúde Pública será feita nesta quarta-feira (2), na prefeitura. Os temas tratados serão o aumento nos casos de vírus respiratórios, que tem causado a sobrecarga nas unidades, e o cenário atual das arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, onde também tem se obervado aumento.
Autoridades da área da saúde e representantes do Conselho Municipal de Saúde, Ministério Público e Defensoria Estadual estarão presentes.
Pacientes aguardam em filas nas unidades.
Reprodução
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
Adicionar aos favoritos o Link permanente.