Após Bolsonaro virar réu, PL manobra para derrubar sessão de votação da Câmara

Em protesto pelo presidente Jair Bolsonaro ter virado réu nesta quarta-feira (26), o Partido Liberal (PL), do qual ele faz parte, entrou em obstrução na Câmara dos Deputados. Isso significa que a bancada se recusa a votar propostas no plenário da Casa
Segundo líderes partidários ouvidos pelo g1, o PL já havia indicado que faria esse movimento. A ação foi oficializada pelo vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), que abriu a sessão para votações desta quarta-feira e a encerrou segundos depois alegando “falta de acordo”.
Segundo líderes, havia acordo, sim, para a pauta de hoje, que incluía a Lei do Mar e um projeto para aumentar penas por uso de armas restritas.
“Temos que dar a eles o direito ao luto”, provocou o líder do PDT, Mário Heringer (MG). Deputados indicam que vão esperar o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que está em viagem com o presidente Lula (PT) na Ásia.
Mais tarde, ainda no plenário, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), confirmou que a obstrução é motivada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal ter aceitado a denúncia contra Bolsonaro.
“E queremos dizer: nós só estamos começando, brasileiros e brasileiras, essa batalha. Hoje, arbitrariamente tornam o presidente Bolsonaro e mais 7 réus nesse processo. Mas queremos dizer que se pensaram que a gente ia baixar a cabeça, nós hoje já começamos a obstruir aqui na Câmara. Hoje aqui na Câmara ninguém vai fazer nada. Não teve Ordem do Dia. E nós vamos continuar nessa trincheira da luta”, disse Sóstenes.
Bolsonaro réu
O ex-presidente se tornou réu nesta quarta-feira em decisão unânime da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro e mais sete aliados vão responder por tentativa de golpe de Estado em 2022.
Os votos foram dos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia, Cristiano Zanin.
Além do ex-presidente, viraram réus:
• Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
• Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
• Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
• Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro.
A denúncia
A PGR afirma que Bolsonaro e aliados formaram uma organização criminosa estável, com divisão de tarefas, para promover a ruptura democrática. Os crimes apontados são:
-Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
– Golpe de Estado;
-Organização criminosa
-Dano qualificado ao patrimônio da União
-Deterioração de patrimônio tombado
E o que disseram as defesas?
Durante a sessão de terça-feira (25), os advogados dos denunciados:
-Não negaram que houve articulação para um golpe, mas alegaram que seus clientes não participaram;
-Reclamaram da quantidade de documentos e da suposta falta de acesso integral às provas;
-Defenderam que a denúncia é inepta e pediram sua rejeição
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